Não queria nada que não fosse uma pedra de gelo massageando a nuca, descendo pelas costas, deslizando suavemente até o cóccxis, passeando levemente entre as coxas quentes, pingos gélidos escorrendo, eriçando pêlos, abrindo poros; mordia os lábios desejosos, revirando os olhos enquanto a pedra descia pelas pernas, dançando
sofregamente pelas panturrilhas até as solas dos pés. Então o mundo parou por segundos, emudeceu todos os sons, as cores se misturaram, os gemidos eram surdos, desfaleceu com um sorriso lindo estampado no rosto.
O Abajour e o gelo
Salim Slavinscki Primavera 2015
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