Aos quartoze anos, Paulo Roberto, cursava o secundário e, era aluno também do curso de torneiro mecânico na escola industrial. Aluno aplicado, já era meio-oficial torneiro. Estudava das 07:00 hs às 13:00 hs, com uma parada de 30 minutos para o almoço. Das 14:30 ás 17:30, fazia estágio em uma metalúrgica perto da escola industrial. Enturmara-se com os profissionais da empresa, era bem quisto por todos. Curioso, aplicado, interessado na profissão; em pouco tempo foi contratado. Estava feliz; poderia , com seu pequeno salário ajudaria nas despesas da família.
Os meses se passaram, com tão pouca idade e responsabilidades.
Paulo Roberto, mudou seu jeito de menino; a voz saía-lhe, ora grossa, ora fina, motivo de troça no meio da peãozada. Chamavam-lhe, menino-besouro, por conta da entrada na adolescência, que lhe mudara o tom de voz.
Certo dia, já no ponto de ônibus, enquanto aguardava a condução para sua casa, Garcia, seu colega de trabalho, lhe pergunta se já havia ido à casa de tolerância.
- Que isso ! ? - devolve o rapazote, sem entender a pergunta
- Ué...! Você nunca foi na zona se aliviar ? (Garcia)
- Zona? Aliviar ? (Paulo Roberto)
- Ahhhh...você não sabe o que é zona ?
Ihhhh... é frangote, cabaço-de-pica ! - E ria, divertindo-se com a ignorância do menino
- Não vou nesses lugares não !! (P. Roberto)
- Ô menino, você nunca "coisou" com mulher ?
- Ahh para ! Quero saber disso não !(O ônibus chegou, embarcam e a conversa continua, até chegarem aos seus destinos).
A conversa com Garcia, desperta os hormônios do rapazote, acordava tendo ereções involuntárias, se interessa por revistinhas de Carlos Zéfiro (sacanagem em quadrinhos, desenhadas à tinta nanquim).Os banhos são mais demorados; descabelava o palhaço, a famosa punheta; os cuidados com o vestuário, higiene e com os cabelos, mereciam mais atenção.
Os dias passam.
Numa quarta-feira, no mesmo ponto de ônibus, os colegas de trabalho, Garcia, Paulo Roberto e Carlos, entabulavam uma conversa à respeito de futebol, quando a certa altura, sem mais, nem menos, Garcia propõe irem à zona no sábado para aliviarem a tensão. De pronto Carlos aceita. Paulo Roberto se esquiva, declinando do convite, entre encabulado e envergonhado - natural para um rapaz de tão pouca idade. Mas insistem, dizem a ele, que o lugar é seguro e que as "moças", cuidariam dele direitinho, além de falarem das qualidades físicas das meninas. O rapaz, declina novamente. No dia seguinte, Garcia e Carlos, refazem o convite. Paulo Roberto, dessa vez se mostra mais interessado. Pergunta onde é, quanto é o "trabalho", quanto tempo pode desfrutar dos obséquios sexuais da profissional-micro empresária do amor . Convenceram-no, tudo certo
e apalavrado.
O menino-homem, mal dormira nos dois dias seguintes.
Sábado, 08:30 da manhã, encontram-se os três, rumaram para a casa do amor. A casa ficava em Vila Zelina, numa rua estreita, casarios sóbrios, arvoredos nas calçadas, área residencial. Muros acizentados, cobertos por arbustos e trepadeiras, não aquelas, encobrindo a visão dos curiosos de plantão; portão alto, de ferro, pintado de verde, já descorado. Tocam a campainha.
Uma senhora com cerca de 65 anos, morena clara, baixinha, cabelos anelados, curtos, tingidos de loiro farmácia, franqueia a entrada dos rapazes.
Móveis velhos e, dispostos no acanhado comodo que servia de ante-sala, luz fraca, televisão em preto e branco, ligada, com volume baixo, bibêlos espalhados em todos os cantos que os olhos alcançavam. A velha cafetina, indica poltronas e um sofá de corvim grená, esgarçados e corroídos pelo uso. Carlos fica em pé, Garcia se acomoda na poltrona e, Paulo Roberto no sofá - está acabrunhado.
De um outro comodo, saem duas mulheres, uma alta e gordinha, branca e de cabelos claros, seios fartos, quadril generoso, coxas brancas expostas, vestia apenas calcinha e sutiã roxos. A outra, pequena, morena, cabelos longos e pretos, olhos achinesados, seios medianos, tinha mais curvas que a BR-116, vestia só uma calcinha preta. Carlos foi com a gordinha, sumiu no corredor da esquerda, nem sentou na poltrona indicada pela velha prestadora de serviços. Garcia, mal sentou-se e já engalfiou-se com a morena, também sumindo pelo corredor mal iluminado.
A cafetina, pede para que o menino-rapaz, aguarde mais um pouco, porque ainda vão chegar mais funcionarias, é apenas um pequeno atraso.
O rapaz, vencido pela timidez, encabulado e inseguro, permanece sentado á beira do sofá. A meeira, de volta à sala, diz para o menino que se não fosse tão velha, faria o serviço nele e, por puro prazer, nem cobraria um vintém pelos préstimos. O rapaz, fica ainda mais envergonhado, queria, se pudesse, evaporar no ar, enfiou seu frágil corpo mal desenvolvido no sofá. De repente, uma voz fanha e cansada, lhe pede um cigarro. Foi um susto, o coração disparou, a boca secou, as pernas ficaram trêmulas, as mãos suaram, quando naquele lusco-fusco da sala, conseguiu vislumbrar um figura cadavérica, desdentada, magérrima, descabelada, deitada no mesmo sofá onde, segundos atrás, queria se esconder de sua insegurança. Levantou-se num átimo, abriu a porta da casa e saiu em desabalada carreira, sumindo pelas ruas e ladeiras de Vila Zelina.
Só tempos depois, é que teve sua primeira vez; com muito amor, sedução, afeto, sensualidade, carinho, entrega, olhares, toques e, aquele friozinho gostoso percorrendo seu corpo, o tesão !
Querem saber quem era o cavaleiro da triste figura deitada no sofá, né ?
Pergunta para a cafetina !
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