sábado, 30 de abril de 2011

"O CASAMENTO REAL DE FELIPE E KATE"

Sertão de qualquer estado do Brasil
O dia era quente, o sol inclemente, tão quente o dia, que urubu voava com uma asa só, porque a outra estava ocupada em abaná-lo; pela estrada não se encontrava viva alma, a não ser poeira e cascalho, as poucas árvores espalhadas pelo caminho, mais pareciam um criadouro de passarinhos, todos espalhados pelas galhadas, abrigando-se do forte calor. No pasto não se via gado, só ao longe avistava-se vultos do que parecia ser uma boiada, mas todos escondidos  nas poucas sombras que se lhes oferecia o dia. Caminhávamos, lentamente eu e meu amigo Deoclesiano. Andavámos, pé ante pé, num modorrento caminhar, parecia que o lugarejo nunca ia chegar. Meu amigo, Déo - era assim que lhe chamava - havia me convidado para ir às bodas de sua prima-irmã Kate Severina, aceitei de pronto, nunca tinha ido a um casamento na roça, essa seria minha grande oportunidade. Minha expectativa era enorme. E tome andar...
Fizemos a curva e à nossa frente uma ladeira que parecia não ter fim; andamos por mais uns 15 mins e já avistávamos ao longe, um amontoado de casas simples e pessoas. Chegamos. Festa geral. Apresenta daqui e dali, boas vindas, abraços fortes, apertos de mãos, tapinhas nas costas... Finalmente nos sentamos, nos serviram água fresca e tome prosa. Fiquei sabendo que o pai da noiva a tratava de "minha princesa", tinha um carinho especial pela moça, sua única filha, no meio de  outros oito filhos. O casamento seria celebrado ali mesmo no sítio e a festa também. Fomos descansar, que ninguém é de ferro.
À noitinha, de banho tomado, roupa trocada e mais cheiroso que filho de barbeiro, fomos eu e Déo, conhecer o noivo e sua parentela. O rapaz não tinha mais que 22 anos, pele morena , queimada de sol, um pouco tímido, também era agricultor, como seu pai e seu futuro sogro, de poucas palavras - talvez estivesse só esperando a hora de sua onça beber água - porém educado, cumprimentava a todos , sorriso curto. O pátio do sítio estava mais enfeitado que jéque de cigano em dia de feira, bandeirola coloridas estendidas por todos os cantos, arranjos de flores sobre mesas, comida e bebida farta e o forró comendo solto. O pároco chegou e a música parou, o noivo foi para o altar improvisado aguardar a  chegada da "princesa"
Todo casamento que se prese tem que ter atraso, senão que graça tem ? Aproveitei e fui  conhecer os pais do noivo. Seo Miguel, era seu nome, sujeito enorme de grande, as mãos pareciam uma raquete 
de tênis; ao me cumprimentar pensei que iria quebrar meus dedos - Ô mão dura sô !!
E a noiva nada.. Tomo umas, tomos mais umas e nada...Uma hora de atraso... O padre manda chamá-la novamente e nada. Cadê a noiva? Todos se perguntavam, o noivo estava mais suado que cuscuz de geladeira, o nervosismo era aparente. Cadê a noiva ???
Lá dos fundos do casario vem uma gritaria, todos correm, até eu e meu inseparável copo de caninha. Que que foi ? Que que não foi ? Cadê Katinha ? ( Pergunta o pai da noiva ) Quédi Kat ? ( grita o noivo) Mas que falta de respeito !! ( retruca a mãe do noivo e alguns convidados ). Desmaios, choros, mais gritaria e eu sem entender nada...Pergunto a meu amigo Déo o que houve, ele me responde :
- Acabou o casório, a noiva fugiu com o carteiro !!!
Sem pompa, nem circunstância a noiva se mandou, deixou uma carta sob a mesa da sala explicando tudo e  fugiu pelos fundos,  numa charrete com seu amor...
O amor não espera, nada que não seja real !!

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