Cravo na lapela e a visita à Alameda Franca
Um dia qualquer, porque todo dia é dia.
Encravada entre dois imóveis comerciais, muro baixo, um pequeno jardim bem cuidado, porta alta - resquício dos anos 40 - um toque na campainha, som discreto, a porta se abre.
Entra, se apresenta, aguarda na ante sala. Uma a uma as moças desfilam, passeiam diante de seus olhos sequiosos. Nenhuma delas foi a que atendeu à sua chamada. Espera ansiosa; intermináveis cinco minutos. Eis que surge a escolhida. Morena, olhos da cor de mel, mignon, lábios grossos, cabelos pretos até os ombros , lisos, curvilínea, um sorriso brejeiro salientado por lindas covinhas. Trazia na cabeça a prender os cabelos, um arco minúsculas rosas brancas, amarelas, vermelhas, rosa-rosa, lhe dava um ar sedutor e juvenil.
Entraram. Abriu os botões do blazer, desabotoou os botões da camisa sutilmente, despiu-lhe a calça. Ele a despiu com leveza. O bronze de seu corpo nu, contrastava com a luz âmbar do abajur. Deslizando as mãos carinhosamente por seu corpo pequeno. Pontas dos dedos pelos cabelos, abraçando e trazendo para si o ventre, os seios, as coxas. Assim se entregaram por horas, como já conhecessem um ao outro. Beijos proibitivos, línguas se enroscando, corpos se entregando, dormiram.
Três batidas na janela os acordaram. Um sorriso, longo beijo, vestiram-se. O dinheiro combinado foi entregue.
Deixou no criado mudo o cravo vermelho que trazia na lapela.
Se encontram tantas outras vezes, que hoje dividem a mesma casa e um grande amor.
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