terça-feira, 31 de maio de 2016

O conheci num café da estação São Bento do metrô,  entre as ruas Boa Vista e São Bento, no centro de São Paulo. O ano era 1978, dia frio e de campanha salarial dos bancários. Havia certa agitação e muita polícia nas ruas. Ele estava lendo jornal,  e bebericando café ou chá, não lembro. Me enchi de coragem, apesar de toda timidez, caminhei os seis metros que nos separava como se fosse participar de uma maratona. Seu Lourenço Diaféria, era um homem de estatura mediana, cabelos anelados e brancos; pedi licença,  me apresentei, solícito, mandou que eu sentasse.
Conversamos por cerca de trinta ou quarenta minutos. Era seu fã,  lia suas crônicas no extinto Jornal da Tarde. Disse a ele que um dia seria um cronista, e que ele era meu inspirador. Riu, e me deu o seguinte conselho:
Escreva o que sente,  transmita as palavras como se fosse abrir imagens e não espere reconhecimento, faça com prazer. Nosso país não é composto de leitores, portanto só escreva, escreva e escreva, alguém lerá!
Lourenço Diaféria se foi, eu continuo a ser seu fã e a me inspirar em sua obra.

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