segunda-feira, 4 de abril de 2016

O PRIMEIRO AMOR

Incompreensíveis e indomináveis hormônios, tubérculos da puberdade adolescente,  onde qualquer calcinha pendurada no varal, não sendo de parente,  aguça o tesão da gente.
Meninidade, a voz mudando,  pêlos acobertando pecados nem tão originais. É com a direita,  é com a canhota,  banho demorado que tudo molha.
A menina da escola,  da catequese,  da aula de datilografia - você não conhece, nem acredita - dos cadernos de questionários,  respostas mal escritas.
A primeira vez que segurou a mão, querendo que todos saíbam, só que não. O coração batendo tão forte,  querendo perder a razão. Os sonhos eróticos, a revistas do Zéfiro,  o mundo numa noite,  dia de perder o chão.
O primeiro beijo escondido, o primeiro olhar, a boca aberta,  a língua tesa, travada,  todos os sentidos aguçados,  o medo de pecar.
O primeiro amor,  que como uma flor, se desabrochou e logo morreu...

O primeiro amor
Salim Slavinscki
03/04/2016

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