A Primeira Vez de Januário
Morar no sertão, no pantanal, na floresta ou no agreste, é para poucos, só mesmo os valentes.
Foi no sertão mais árido, mais castigado pelo sol e pela seca e mais distante de tudo, que
nasceu e cresceu Januário. Rapaz trabalhador, ajudava o pai na lida do pequeno sítio, ora cuidando das poucas cabras, ora da roça de feijão, isso quando a seca deixava. A mãe o alfabetizou, nunca frequentou a escola.
Aos quinze anos, o corpo dava sinais das necessidades físicas. Espinhas e cravos marcavam sua face; o sono era agitado, não conseguia dormir em decúbito dorsal, se ajeitava, se mexia, fungava, respirava fundo, enfim dormia. Os lençóis ficavam engomados. Pela manhã, corria para lavar a prova material e os despojos da noite de desejos incontidos. Era só covardia, cinco contra um.
O pai, sertanejo calejado, homem experiente e bem vivido, preocupou-se. Chamou o rapaz para uma conversa de pé de ouvido, coisa de homem para homem. Prometeu levar o menino à cidade no próximo final de semana.
A semana custou a passar. Chega o sábado, depois de longa e interminável espera. Selaram os jumentos e rumaram para a pequena cidade de Ingatái. Resolvidas as pendências, pai e filho rumaram para a zona, casa de tolerância, casa da luz vermelha, que na verdade era um lampião à querosene dependurado na parede da entrada.
Um pouco ansioso e bastante tímido, foi apresentado à dona Rosalina, a gerente da casa, mais comumente conhecida por cafetina. Mulher de mais de cinquenta anos, gordinha, tez morena, levou Januário para uma saleta, recepicionado por Idalina, loira de farmácia, corpo um tanto maltratado pelo trabalho autônomo, de micro empresária do sexo e do prazer, não passa dos vinte e cinco anos. Arrastou o rapaz para um quarto pequeno. O preço do serviço já estava acertado e pago pelo pai. Lá, ofereceu um copo de bebida, de pronto recusada. Juntou as camas de solteiro, apagou a luz do candeeiro, se despiu, e deixou o cliente em pêlos, nu como veio ao mundo. A rapariga desenrolou a mercadoria do rapaz, um apêndice de quase 30 centímetros. O pau cantou literalmente, lateralmente, frontalmente e de costasmente.
A noite foi longa. Amanheceu. Teve beijo na boca na despedida. Livre, mais leve e solto, Januário desceu a rua sorrindo para o dia.
A moça, devido ao esforço físico despendido, fechou para balanço. Não atendeu ninguém.
Salim Slavinscki
08/04/2016
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