segunda-feira, 3 de março de 2014

"NEGA, TU NEM DEIXOU UM BILHETE - PARTE II"

O som do samba enredo cantado por inúmeras vozes, ainda ecoava no ar, a batida forte da percussão era repecurtida, reverberando no peito, no corpo. Á medida que se distanciava, caminhando pelas ruas adjacentes, tudo ia ficando para trás; alegorias, fantasias, passistas, baianas, mestre-sala, porta-bandeira e seus rodopiares graciosos. Parou na porta de um boteco pé rachado, pediu uma Yaúca com limão, dose dupla, sorveu fazendo caretas, enxugou a boca com a palma da mão. Seus passos ficaram mais marcados que sambista em dia de desfile; seguia seu rumo medindo a calçada de uma lado a outro.
Entre cochilos e despertares, conseguiu desembarcar na estação Vila Matilde do Metrô, berço do samba paulistano, caminhou até o ponto da lotação 3731 - Metrô Vila Matilde-Shopping Aricanduva. Se ajeito no assento, apagou. Sonhava, rememorava antigos carnavais, rodas de samba regadas a cerveja, de tira-gosto, calabresa acebolada, torresmo e churrasquinho de gato, uma cachaça para esquentar as cordas vocais. A mulherada sacudindo a moranga, cheias de amor pra dar, mais cheirosas do que filha de cabelereira. E foi uma delas que sacudiu seu coração vagabundo. Entre letras de samba canção, dançar coladinhos, beijos estalados e amor jurado, foram morar juntos.
Seu coração era vadio, apaixonava-se, e desapaixonava-se na mesma velocidade, mas a nega Juju, era a dona do seu amor. Até um dia, que cansada das suas traições, o deixou. Se foi, sumiu na imensidão de São Paulo.
Restou a Pedro Henrique, chorar suas mágoas, em letras de samba compostos em mesas de bares, noites e noites adentro, tendo a cerveja e a cachaça como companheiras. Já bêbado, chorava feito cão sem dono. E carnaval, após carnaval, ficava na grade do Sambódromo, procurando em vão, a sua amada no meio dos componentes das escolas de samba.

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