Gostava de ouvir as rezas, eram uma mistura de português e um dialeto africano, o sacro e o profano, o cristianismo e a raiz africana.
Lembro do vestido de vó Ana Preta, era de chita, fundo azul marinho, decorado com motivos florais; margaridas pequeninas brancas, com o núcleo amarelo, mangas até o ante-braço, golas arredondas com delicadas rendas brancas enfeitando; bolsos nos dois lados, um guardava o pito (cachimbo ), no outro o fumo de corda. Vez por outra levantava-se do seu banquinho e ia até o estrado de louças para apanhar uma caneca de ágata e saciar nossa sede, com água de poço.
Tenho orgulho dessa herança africana, sou brasileiro, mistura de índios, brancos e africanos, aprendi, um bocado com elas, com meu avô João, russo, branco e espírita, principalmente em ter fé em Deus. Porque Deus está em tudo, no vento, na chuva, no sol, na lua, nas nuvens, nas águas, na natureza !
Deus é tão bom que me permitiu lembrar dessa pequena história.
Axé Vó Maria Camilo, Vó Ana Preta, Mãe Maria do Nelson, Vô João, Vó Rachel, Vô Mané Casado, Julião, e tantos outros da minha raiz !
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ResponderExcluirLembranças boas, infância, brincadeiras na rua, amigos, dona Carmelita benzedeira, mãe gorda, vizinha boazinha, mãe de todos, ai que saudade...
ResponderExcluirNossa eu voltei na nossa infância agora.Que saudades me deu daquela época!!
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