Eu o conheci num período de minha vida em que no bolso da calça só havia pano, e estava furado; nem para o café eu tinha. Ele era um cara desconfiado, arrogante, de trato difícil; seu humor era sarcástico, quase ácido. Tinha mais dinheiro do que juízo e se valia disso. A princípio, só nos tolerávamos; ele era o patrão e eu, só mais um no meio de tantos empregados. A "empresa" era rentável, de médio porte, mas vivia na "clandeca"(não legalizada) constantemente mudava de endereço por conta da "fiscalização". A administração era familiar, conduzida com mão de ferro do patrono, que não gostava de ingerências à sua maneira de conduzir os negócios, negócios esses tão velhos quanto o barão que os criou.
O tempo foi passando, e fomos conquistando a amizade e a confiança um do outro. Nos tornamos amigos; ele me confidenciava seus planos, anseios, perspectivas futuras, problemas familiares e até amorosos. De mais um , tornei-me braço direito, faz-tudo, pau mandado, gerentão, capitão. Virei um mito vivo. Deixei-me levar pelo "cargo". Não me faltava dinheiro, carrões e mulheres. Aprendi muito com o velho. Nos conhecíamos pelo olhar. O que não era bom para "firma", não era bom para mim e para o patrão. E a lei, era a das ruas, a dos velhos malandros, e macaco é 17. Em muitas ocasiões, tive de usar do convencimento, noutras da "chibata", da força bruta e em rio que tem piranha , jacaré nada de costas.
Subitamente tive de deixar meu cargo, foi melhor para todos. Quando se está no inferno é melhor correr e abraçar o capeta. O dinheiro acabou, a farra também. Fui viver minha vida como qualquer mortal, sem nenhum ressentimento ou culpa. Fiz o que tinha de fazer na oportunidade. Cada um seguiu seu caminho.
Poucas notícias soube dele e ele de mim ao longo desses anos todos de afastamento; o que tratamos, no bigode, é ponto de honra e levo comigo para o túmulo. Pena não poder ter ido me despedir do velho malandro, bon vivant e empreendedor, meu velho amigo Néco (soube da notícia pelos jornais) homem que como todos nós tinha muitos defeitos, mas Deus vai contabilizar muitas das suas qualidades e talvez conclua que ele só vai fazer uma pequeno um estágio, uma descida, mas logo, logo vai subir.
E elefante é grande mas não é dono do circo, e nariz de porco não é tomada !!
Ééééé´ issooooooooooo aí Seo Néco !!
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