segunda-feira, 2 de maio de 2016

"O Dia em que São Jorge saltou do cavalo"

Reza a lenda, que o menino desde a mais tenra idade, gostava de vestir roupas da irmã mais velha e brincar com suas bonecas, os pais a princípio achavam engraçado, com o passar dos anos era evidente nos trejeitos e modos,  que o menino era efeminado. Era assim que eram tratados os meninos com tendências gays.  Cidade pequena do interior, a notícia corre como rastilho de pólvora. 
Marquinho não jogava futebol com os meninos,  gostava da companhia das amigas da escola, com elas aprendeu a arte de tingir e cortar cabelos. Não tinha namorada, e era conhecido dos meninos como alegria da rua. Toda sexta-feira ia com as amigas num terreiro onde se travestia de pomba-gira. Vestindo vermelho e preto, a ciganinha dava consultas. 
O pai preocupado com a situação e exposição da condição de homossexual do filho, foi ter com o pastor de sua igreja. Aconselhamentos, jejum, retiros, círculo de oração, idas e vindas à igreja, vigílias. O tempo passou.
Já adulto, uma moça de sua congregação se aproximou, mostrou interesse, da amizade ao namoro foi um salto; os anciãos aprovaram o namorado,  os pais de ambos deram as bênçãos. Casaram-se.
Marquinho continuava a gostar de bons perfumes, usava até os da esposa, de roupas que marcassem a silhueta e cores espalhafatosas, as calças agarradas ao corpo. Tingir os cabelos de preto, tirar as sobrancelhas, fazer as unhas à francesinha, nunca perdeu a desmunhecada. 
Elegeu-se deputado, combatia a homossexualidade, lutava a favor da família, dos casais heterossexuais, da religião, contra a corrupção dos valores cristãos. Mas não deixava de frequentar a casa de massagens 2069 e Chili Peper! 
E seu voto foi Sim,  pela moralidade e bons costumes... Foi nesse dia que São Jorge desceu do cavalo!

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