Todos os dias faço caminhada, não tenho um trajeto pré-estabelecido, nem quantos kms irei percorrer; apenas caminho por cerca de 60, 70 minutos. Hoje, já no percurso de volta, notei que no chão de uma calçada, haviam várias amoras caídas e esparramadas, tingindo o passeio com sua cor vermelho forte, escuro. Reparei que do muro de uma residência, pendia uma amoreira, carregadinha do fruto. Não me fiz de rogado, alcancei uns galhos e me fartei da frutinha silvestre.
Enquanto saboreava as frutinhas, fui remetido à minha longinqua infância. Lembrei-me de minha avó materna Raquel. Baixinha, atarracada, com seu rostinho avermelhado, vez ou outra um raro sorriso, não era muito afável; era o jeito dela. Romena de nascença, migrou para o Brasil no final de década de 20. Tinha ainda um sotaque carregadissímo, mesmo vivendo a tantos anos por aqui, trocava "o" pela "a", fez adaptações aos nossos nomes, porque para ela, eram quase todos inpronunciáveis. Era ríspida, mas carinhosa à sua maneira. Com ela aprendi a conhecer certas ervas, para quais males serviam para combater. E tantas outras coisas que me ensinou. Vá lá que não era muito dedicado, mas aprendi.Porém, umas das coisas que aprendi a gostar, foi da geléia de amoras. Divina !! Simplesmente divina !
Sempre que íamos visitá-la, ela preparava o tchái ( chá mate ), os pães e os bolos, que ela mesma vazia, e a famosa geléia de amoras, para nos receber. E como era bom. Deus a levou, e com ela se foi a receita da geléia. Que pena.
Depois de saborear as tais frutinhas, e de voltar ao presente, retomei minha caminhada.
Ao chegar em casa, acompanhei pela TV, o julgamento da camarilha do "mensalão". Torci muito pela condenação dos réus - ao escrever essa crônica ainda não havia terminado o julgamento -, que o veredicto seja um exemplo à nossa nação, ao nosso povo e principalmente aos políticos. Estamos fartos de desmandos e de corrupção !
Acredito que esses réus devam ter avós, se vivas eu não sei. Mas de uma coisa eu tenho certeza, eles não aprenderam nada com elas, nem mesmo a apreciar uma geléia de amoras silvestre.
E tenho dito !!
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Mtoooo bommm!! Isso fez lembrar a minha infância tbem... as amoras que eu adoro, a casa dos meus avós... nossa que saudade... muitas coisas eu aprendi com eles e que vou levar p/ a vida toda... São tantas coisas que temos em comum, que faz com que nos aproximemos ainda mais... Não importa se para uns eu sou um fantasma, não ligo... o importante é o que nós dois sabemos o que sentimos um pelo outro... Te adorooooo
ResponderExcluirA vida é feita de memórias, quem não as tem, não compartilha esparanças, ou não soube aproveitar as boas coisas da vida. Eu aproveito cada segundo, minutos ou horas, o mais importante é essa proximidade e a cumplicidade.Bjs.
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