Não sei como veio ao mundo, se o parto foi normal, não sei o dia, mês e o ano, se era dia sol, se chovia, se noite ou manhã, se inverno ou verão. Mas sei pouco ou quase nada, na verdade nada. Mas acredito, que igual a todas as crianças, caiu da bicicleta, chorou no primeiro dia em que foi à escola, talvez gostasse de empinar pipas, jogar game, futebol. De brincar com os amiguinhos de pique-esconde, de aprontar e vir com aquela cara de pau dizendo : não foi eu !
Todo mundo cresce, ocorrem mudanças tanto no corpo quanto nos gostos, a turma muda, aparecem as primeiras namoradinhas, até nós , os pais, somos deixados meio que de lado. Mas esses novos interesses fazem parte do crescimento do ser humano. Isso só um psicólogo ou outro "ólogo" qualquer pode explicar. Só sei que é assim.
O amor existe entre eles e nós, mas transmitido de uma forma diferente de quando eles eram bebês .O amor entre filhos e pais, pais e filhos, é incondicional. Não tentem me dizer o contrário.
E a vida segue, eles crescem, crescem, tem lá suas preferências, desde musical a literária.
E quando estão na flor da idade, com toda uma vida terrestre a percorrer, Deus resolve lhes chamar de volta. A missão foi cumprida. Mas por quê ? Por que logo agora.
Deus sabe das coisas, Ele sabe. Dói, sente-se saudade, choramos todas as lágrimas que temos, todos os dias, as lembranças ficam por toda parte, em coisas , objetos, fotos, canções ouvidas, roupas, brinquedos esquecidos numa caixa lá da infância remota. E as lágrimas inundam nossos olhos, escorrem pela face, machuca o coração, aperta a garganta, e o peito explode em dores. Perde-se o chão, as rédeas de nós mesmos. Mas Deus sabe o que faz. Não nos tirou, deixou conosco o amor que sentíamos e ainda sentimos. Mas como suprir a falta de alguém que se foi ? Como ?
As várias religiões espalhadas pelo nosso planeta, explicam de várias formas a perda , a súbita morte de alguém e para onde vão esses entes queridos. Para alguns de nós, nada pode suprir a perda, muito menos explicar, até aceitamos, mas concordar...é difícil. O sentimento é tão profundo, tão intimo de cada um, que é quase impossível tentar entender alguém que se joga na saudade, e se desliga de todo o resto ao seu redor. Mas a vida continua, ao redor também há vida, amor, sentimentos a serem compartilhados, alguém tem ânsia de afago, de amor. A vida continua, a saudade vai persistir, no mais remoto canto do nossos ser. Mas devemos tornar ao mundo, voltar a viver, não fingir, mas buscar nessa perda a força necessária para viver. Dar e receber amor, aposto que o ente querido, onde quer que esteja, estará feliz em perceber os que aqui ficaram, estão seguindo suas vidas normalmente, e que o amor doado a ele ainda sobrevive e sobreviverá.
A fortaleza do amor está na superação. A saudade no amor, a melancolia passa, como vento que anuncia a tempestade de verão. Forte mas passageira.
Dedico esse texto à minha querida amiga Vânia Barbosa e a sua filha Raissa .
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