quinta-feira, 1 de março de 2012

" JANELA INDISCRETA "

Tudo seguia seu rumo, seu prumo, nada seria igual como antes, nem hoje, nem ontem, nem mesmo como todos os outros dias já passados. O sol estava lá , pregado no céu e, seus raios cada vez mais cozinhavam as cabeças e corpos. Banhos e cervejas, cervejas e banhos; nudez pela casa, para refrescar um pouco o mormaço da solidão. Os copos ainda jaziam pelos cantos, dormitavam neles bebidas adormecidas do dia anterior, que afogaram mágoas e apararam lágrimas vertidas. Baganas de cigarros mal fumados, amassados no fundo dos cinzeiros. Roupas jogadas pelo chão do quarto displicentemente; femininas e masculinas. Um perfume adocicado se misturava ao cheiro de tabaco e cerveja que exala pelo comodo. Um suspiro leve e fino, denunciava um corpo de mulher na cama, semi nua, cabelos bem cuidados e castanhos, dormia o sono dos justos.
No alpendre, ele a admirava, sorvia uma xícara de café, cigarro num dos dedos da mão direita, janela aberta e o coração fechado.
Ela acordou as dez da manhã, tomou um banho, vestiu-se, não bebeu a xícara de café que lhe foi oferecido, pegou o michê, pôs na bolsa, abriu a porta e seguiu sua vida. Talvez mais um freguês a esperava, mais um dia duro e de muito trabalho.
Ele ficou na janela, olhava para rua como se procurasse algo há muito perdido. A solidão tem dessas coisas, procura-se o que não mais podemos encontrar.

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