Sinésio, caboclo, lapidado pelo cabo da enxada e do corpo curtido pelo sol e pelo sal da terra, não queria que seus filhos terminassem seus dias como ele, lavrando a terra dos outros e não conhecendo as letras. Era um bom pai, bom marido. Nas noites de sábado, com a família reunida ao redor de um lampião, pedia para que um dos filhos mais velhos, lesse um capítulo de Don Quixote ou da bíblia. Seu semblante alumiava, seus olhos brilhavam feito rosto de criança diante de um presente inesperado. Sorvia cada palavra falada, vez ou outra perguntava o significado de uma determinada palavra. Se encantava e dizia :
- Cumé qui podi um homi bota no papé, tanta coisa ?Num pedacico de nada tem tudo !
Era Natal, a ceia era , uma galinhada, acompanhada de farofa caipira, arroz com Pequi, feijão tropeiro, salada de agrião, suco de maracujá. A família reunida, orações, comilança, e presentes. E como eram simples e singelos, bonecas feitas de tiras de pano para as meninas e carrinhos de madeira e uma bola de futebol para os meninos, tudo feito à mão, artesanalmente, mas com muito amor. Nada de PS2, Ipod, Iped, computador, essas coisas tão modernas e mas tão distantes. A realidade vivida ali, era como a tantos outros brasileiros. Mas mesmo distantes das redes sociais, do conforto, o que predomina é a estreita relação familiar, o sentido de família, do ser solidário, respeito e união. Coisas que talvez um PC, msn, face, twiter, não consigam passar ou resgatar, pois família é algo tão fora de contexto para alguns. Você pensa assim ?
Fiquei emocionada, com tamanha humanidade dessa família simples, e cheia de amor, bênçãos ,passando aos filhos.
ResponderExcluirLindo..esse "Conto de Natal".
Emocionante
Fiquei emocionada, com tamanha humanidade dessa família simples, e cheia de amor, bênçãos ,passando aos filhos.
ResponderExcluirLindo..esse "Conto de Natal".
Emocionante