Todos os dias, vemos incrédulos nas telas das TV's ou estampados nos jornais, manchetes de gangs de crianças assaltando, roubando e ou praticando delitos em Vila Mariana ( Bairro da Capital Paulista ) e bairros adjacentes, são moças, rapazes e crianças, que usam da violência, truculência e impõem terror às suas vítimas. Entram nos comércios, hotéis, roubam e saem correndo pelas vias públicas. A Polícia é chamada e faz seu trabalho; apreende esses pequenos assaltantes os encaminham ao Conselho Tutelar que também faz sua parte. O que me surpreende nisso tudo, é que a cada dia são maiores os números de gangues e proporcionalmente maiores o número de crianças abaixo dos 10 anos.
A mais ou menos 25 anos foi criado o E C A, Estatuto da Criança e do Adolescente, que diziam à época, seria um avanço para combater a delinqüencia, o desamparo infantil, e dar aos organismos que cuidam de crianças e adolescentes, toda uma estrutura, desde de a formação educacional à profissional, esporte, lazer e cultura. A antiga FEBEM, hoje Fundação CASA, dá a essas crianças e jovens essa estrutura. Porém, o tempo passou e o ECA, não evoluiu, o que se pratica hoje é aquilo que se vislumbrou da sociedade 25 anos atrás. Hoje, jovem com menos de 16 anos, não pode trabalhar, pois fere o estatuto da Criança e do Adolescente. Votar aos 16 pode ! Mas imputar e penalizar esses jovens, quando cometem crimes, muitas vezes bárbaros e hediondos, não pode !
Muitas dessas crianças e jovens, advêm de lares desfeitos, desestruturados e consegüentemente, passam ou passaram por instituições como a Fundação Casa. E, em não tendo amparo dos pais ou parentes próximos que possam lhes dar um norte à vida, passam a conviver em grupos, geralmente dormitando em calçadas, edificações abandonadas e até mesmo em fendas nos baixos de viadutos.
Aprendem a usar drogas e tornam-se dependentes na mais tenra idade, e para se sustentar e também o vício, cometem delitos. O que fazer ? Como podemos ajudar? Não sei, não tenho respostas prontas.
Vejo o ECA hoje, o enxergo, como algo ultrapassado, cuja boa intenção vazou por entre os dedos de todos nós da sociedade.
Vivemos numa sociedade consumista, não socialista, nem tampouco democrata. Talvez você que esteja lendo isso agora discorde de mim, mas é isso mesmo. Democracia, do grego demokratia, governo do povo, onde o povo governa, passa um pouco ao largo. Mas ainda a prefiro, mesmo não estando em pleno exercício. Numa sociedade consumista, o que vale é o ter o bem material, é obter algo que lhe traga status, através de uma marca, de um logotipo que o associe a algo top. Vou exemplificar : um tênis, relógio, celular, PC, carro, camisa, calça, Lep top. Tudo gira no sentido do status do ter, do possuir. Não estou criticando quem tem poder de compra, longe disso. Mas em quem esses jovens que citei no parágrafo acima se espelham ? Na sociedade. A mesma sociedade que o traficante e o político corrupto convivem, e que dão a esses jovens e a tantos outros, modelos negativos de comportamento. O traficante, dentro de uma comunidade, faz o trabalho social - que é dever das instituições governamentais - em troca do silêncio e cumplicidade velada ou motivada pela força desse agente transgressor. E é nele, que a criança e o jovem se espelham. Porque organismos governamentais não fazem direito o seu papel, às vezes também porque os próprios traficantes impedem qualquer aproximação entre a população e esses órgãos. E os políticos corruptos, uma minoria é claro, não são exemplo a se seguir. Pois, se eles podem transgredir sem punição, por que esses jovens não ? Esse é o pensamento de muitos dos jovens transgressores. É a lei do menor esforço, do levar vantagem em tudo. Estudar para quê ou por quê ? E assim a sociedade vai criando a cobra que vai lhe picar.
Só vejo uma saída, atualizar o ECA, modernizar os códigos civil e penal, porque um não anda sem o outro, penalizar rigidamente quem corrompe e é corrompido, fazer com que os apenados cumpram suas penas - trabalhando dentro das instituições penais - sejam elas quais forem e sem progressão de pena, pois muitos não são primários. Separar lideres de facções ou grupos, e enviá-los para para prisões em regime fechado, excluindo-os do convívio nas prisões comuns. É fácil !
O que está faltando é vontade política para transformar a nossa sociedade. Faltam maiores investimentos em educação, não estou falando em construção de escolas, falo em salário digno aos mestres. Investir em saúde, não em construção somente de edificações hospitalares, investimento em cultura, é assim que se faz uma grande nação. Veja o exemplo da Coréia do Sul, escravizados pelos japoneses na 2ª Guerra Mundial, passando por uma guerra interna no final dos anos 40, quando o país foi dividido ao meio, e não tendo outra alternativa, seus governantes investiram maciçamente na educação, na cultura, saúde e segurança do povo, e hoje desponta como uma nação rica, desenvolvida e caminhando para ser um das mais importantes do mundo. Tudo sobreveio da vontade política de seus governantes e da colaboração do povo. Somos um país de cultura diferente, mas temos de seguir os bons exemplos. Não é dando ou distribuindo Bolsas ou afins, que vamos acabar com a mortalidade infantil, com o desemprego, com a fome, com a falta de habitação. É com investimento no povo e para o povo.
Se quisermos mudar alguma coisa no horizonte dos nossos jovens, no nosso país, lembremo-nos de procurarmos e obtermos, informações sobre aquele que irá legislar, administrar e dirigir, nossa cidade, nosso estado e nosso país. O Brasil está cheio de candidatos que querem apenas se locupletar, viver da benesses de um cargo, ajudar apenas e então somente parentes e amigos. Ao povo só as migalhas e nada mais. O voto é a nossa arma, usemos pois ! Voto consciente sempre, use sua indignação e quando for votar lembre-se daquele vereador, deputado, senador, do político enfim, que só aparece para você a cada 4 anos e depois desaparece na fumaça da contagem de votos.
Um dia feliz para você !
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