Acomodou-se na cadeira de praia, bebeu um gole de café, acendeu um cigarro, olhar perdido no céu, como quem procura estrelas distantes. Vento sul trazendo um frescor na noite quente de verão; mais um gole de café.
Pensava nas palavras que acabara de ouvir. Riu sem jeito; chegou até mesmo a concordar, não com tudo que haviam dito, mas em parte. Tentou lembrar quando foi a última vez que alguém traçou seu perfil , em poucas, sinceras e quase deselegantes palavras. Não conseguiu, ou não quis lembrar.
Rememorou apenas os bons momentos que tivera em sua vida. O quanto bem viveu, os prazeres, alegrias, viagens, lugares, pessoas, os amores, os sotaques, o clima de cada região, o modo de vida, histórias e estórias contadas e aprendidas. O quanto foi feliz e a quem felicitou. Lembrou de sorrisos, risos, e alegrias.
Era sim, um sonhador, tinha devaneios; talvez influenciado por sua veia de escritor/poeta/cronista, pois segundo diz a lenda, um escritor vive de sonhos, história e estórias e observações. Preferia ter asas para voar seus sonhos, a ter os pés ancorados, fincados na realidade massacrante. Porém, isso era apenas um meio de fuga, uma fantasia, ele também vivenciava a dura, aparente realidade cotidiana como qualquer outro ser vivente. O oposto é quase irreal.
Devaneios, sonhos, ainda se pode ter, sem ter de pagar impostos.
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