Nós, os seres humanos, animais ditos racionais, pensantes; agimos muitas vezes instintivamente e como os outros animais, carregamos dentro de nós, o espírito de grupo, mas diferentemente destes, somos os únicos que matamos para não comer. Fazemos guerras, sem nos importar com os seres e, na
maioria das vezes em nome do dinheiro. Mas não é disso que quero falar, quero falar das diferenças. Diferenças de credo, cor, opções, dentre tantas outras. O homem é seletivo, o ser humano é seletivo, não sabe conviver com as diferenças, sejam elas quais forem, tudo que é diferente abala as convenções. O que são convenções:Convenção é uma palavra utilizada para designar tudo que é fora dos "padrões" da sociedade, aquilo que não queremos entender como diferente, como forma de viver, pensar, agir, aceitar, participar, tantos outros "ar", que ficaria aqui gastando o meu e, o seu tempo...
Quando criança, ouvimos : - Homem , não chora, menino!!
- Shirley Maria!! Que negócio é esse de jogar bola ?? Não, não, não, vá brincar de boneca!!
Lá pelos anos sessenta, a palavra deficiente, era muito pouco usada, difundida ; pessoas portadores de deficiência física ou mental, eram chamados de defeituosos. Que achincalhe!!! Que falta de respeito!! Só alguns anos mais tarde é que se "convencionou" a utilizar a palavra deficiente. Isso mudou alguma coisa, na vida dos portadores de deficiência ? Não !! Não há programas sérios e em quantidade para dar uma qualidade de vida melhor a essas pessoas.
Certo dia, estávamos na sala, eu, meus avós maternos, meu pai, enfim, minha família a assistir um filme, chamava-se : Dr.Givago - o filme relatava a chegada do comunismo na Rússia, olhei para meu avô e vi que de seus olhos brotavam e rolavam por seu rosto, lágrimas, grossas como gotas de chuva na tempestade. Pensei - Meu avô é homem e tá chorando, por quê? Descobri, anos depois , que aquele filme remetia, meu velho avô, às lembranças da sua terra natal, de onde ele havia partido na metade dos anos vinte do século passado, por divergências políticas com o regime vigente na época. E aquele filme lhe trouxe recordações da sua terra tão distante, talvez saudade de gente, de cheiros, de rostos, por isso se emocionou. Homem chora sim, eu choro, tenho sentimentos como qualquer um! Pessoas ficam estigmatizadas e rotuladas, seja por apelido, traços da sua personalidade, cor de pele, credo e opções de vida ou de sexo. Taí, o tal de buylling - não sei se é assim que se escreve - que adolescentes usam para espinafrar colegas de escola. No meu tempo era sacanear; nem por isso deixa de ser algo de mau gosto, que pode marcar as pessoas psicologicamente por toda sua vida. Há tantas outras coisas que usamos para diferenciar pessoas, que eu iria me alongar demais. Mas vou exemplificar: Seu vizinho tem um filho gay, nós o encaramos como uma afronta, àquilo que está convencionado na sociedade, que é: homem é homem e mulher é mulher e ponto. Será que o amor que esse ser tem por sua família, é diferente do nosso? Ele tem dúvidas, anseios, sonhos, perspectivas de futuro, planos, como qualquer ser humano, pois ele é também um filho de Deus. Não sejamos hipócritas!! Pois um filho ou filha, tanto meu quanto seu, pode ter essa mesma opção sexual e nos participar, nos transmitir, nos confessar (isso mesmo) e nós ficaremos sem chão, chocados, tristes, nos perguntando onde foi que erramos? Vamos querer demovê-lo dessa ideia - segundo nosso pensamento - ficaremos noites sem dormir, até mesmo nos culpando. Mas nada disso vai resolver; o que resolve, é a aceitação, é o amor incondicional aos nossos filhos, é a nossa revolução interior, pois é assim que tem que ser, temos que nos confrontar, lá no mais intimo do nosso ser, vomitar o maior vilão de todos, que é o preconceito! E aceitar nosso filho ou filha, como eles nos aceitam, com nossos defeitos, preceitos, preconceitos e principalmente naquilo que a sociedade por convenção chama de pré-conceito. E a sociedade, somos nós; eu você, a família, o vizinho e por aí vai. A tarefa é difícil, eu sei, por que eu mesmo tenho meus conceitos, preconceitos e pré-conceitos; você não sabe o quanto eu tive de me desfraldar para falar de um assunto tão delicado, me despi de muita coisa, mas sem perder a ternura. Viva a diferença!!! E sejamos felizes!!
Um texto muito lindo e profundo, disse tudo com muita sensibilidade... As vezes me da uma grande pena de saber que existem pessoas que ainda tem todo esse preconceito seja ele qual for. Mas a mudança começa na gente... Obrigada pelo lindo texto... Beijo grande e um bom resto de semana.
ResponderExcluirparabens gostei muito do seu texto que vc melhore cada dia mias
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